BOLSONARO, QUEM DIRIA, VIROU DIFUSOR DE FAKE NEWS


Josias de Souza
04/01/2019 18h06

No intervalo de menos de 24 horas, Jair Bolsonaro promoveu um banzé na área econômica do seu governo. Na manhã desta sexta-feira, anunciou aos repórteres a elevação de alíquota do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) e uma redução na carga do Imposto de Renda (IR). Foi desmentido horas depois pelo secretário da Receita Federal, Marcos Cintra —nem o IOF vai subir nem o IR vai descer. Na véspera, Bolsonaro revelara, em entrevista ao SBT, que seu governo vai propor ao Congresso idade mínima para a aposentadoria de 62 anos para homens e 57 anos para mulheres. Em privado, integrantes da equipe econômica informam que a proposta que o ministro Paulo Guedes levará ao Planalto na próxima semana anota coisa diferente. Quando um governo precisa desmentir o presidente da República, a coisa vai mal. Quando isso ocorre horas depois da primeira reunião de um presidente recém-empossado com seus ministros, é sinal de que certos males vêm para pior. O novo governo vive em dois mundos. No oficial, o presidente e seus auxiliares, por afinados, não discutem. No paralelo, eles nem se falam. Quando conversam, o capitão e sua tropa parecem se desentender falando o mesmo idioma. O resultado é trágico. De tanto enxergar pseudo-falsidades no noticiário, Bolsonaro tornou-se, quem diria, um presidente difusor de fake news. Num esforço para tentar contornar o estrago, o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) convocou, veja você, a imprensa. Prestou esclarecimentos. Declarou que houve um "equívoco" do presidente. Suprema ironia: Bolsonaro vai descobrindo, da pior maneira, que também está sujeito à condição humana.

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