SENADORES VOTARÃO CONTRA REFORMA DA PREVIDÊNCIA SE REDES SOCIAIS MANDAREM?


“Os desejos das ruas terão protagonismo.” A frase de Davi Alcolumbre (DEM-AP) reverberou declarações de seus colegas durante a sexta (01) e o sábado - quando o Senado Federal o elegeu presidente em meio a uma conturbada sessão de autópsia da democracia transmitida, ao vivo, pela TV.

"Nós estamos sendo comentário das redes sociais", disse uma senadora. "As manifestações pelas mídias sociais são avassaladoras", afirmou outro. "Esta casa aqui tem de passar a ter respeitabilidade diante da opinião pública brasileira, caso contrário, nós vamos ser troco, aí, na rua", declarou um terceiro. Houve até quem fizesse enquete na internet para decidir o voto.

Ouvir os eleitores é sempre bem-vindo para a tomada de decisões. Esse discurso usado na eleição no Senado, contudo, não surge como parte de uma experiência de mandato participativo, mas foi utilizado para a construção da narrativa que justifica a não eleição de Renan Calheiros - considerando sua ficha corrida, é compreensível, mas as razões foram menos éticas do que políticas. Pode parecer a mesma coisa, mas não é. Tanto que surge a dúvida: os parlamentares manterão o mesmo comportamento quando a Reforma da Previdência for colocada em discussão?

A má fama do tema só rivaliza com a baixíssima popularidade do antecessor de Jair Bolsonaro, que não conseguiu colocar nem a versão desidratada do projeto de reforma em votação. É de se imaginar que, mesmo com os exércitos digitais do governo, serão muitas as mensagens insatisfeitas de eleitores quando a reforma tramitar pela casa. Os senadores darão ouvidos a elas, votando contra o governo? Ou há pautas em que a opinião expressa nas redes importa, como o combate à corrupção, e outras, não?

A leitura do conjunto de mensagens publicadas nas redes sociais sobre um assunto e/ou alguém não é uma medida confiável da opinião pública. Tampouco um assunto que se torna trending topic no Twitter reflete o posicionamento da população sobre determinado tema. Ele é apenas o mais citado na rede social por um determinado momento - o que pode ser impulsionado por pessoas, mas também por robôs ou perfis falsos controlados por profissionais pagos.

O Brasil precisa de uma Reforma da Previdência, mas uma que não mexa nas pensões de idosos miseráveis, trabalhadores rurais da agricultura familiar e  não obrigue alguém que vai se aposentar com R$ 1900,00 a trabalhar 25 anos para tanto. Deveríamos ter discutido os diferentes projetos de reforma nas eleições do ano passado, pelo menos no segundo turno. Mas parecia que o suposto "excesso de fiscalização ambiental e trabalhista" era tema mais importante. Olhando sob a ótica de uma tsunami de lama e centenas de mortos, o passado recente soa até ofensivo.

(Leia a íntegra do texto no post do blog https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br)

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