Brasil ultrapassa marco de 10.000 mortes por coronavírus


De acordo com o último boletim do Ministério da Saúde, publicado neste sábado,9, o Brasil tem 10.627 mortes e 155.939 casos confirmados por coronavírus. São 730 óbitos e 10.611 casos registrados nas últimas 24 horas. Entre os óbitos, apenas 234 aconteceram nos últimos três dias. Aós superar a barreira dos 10.000 mortos, o país ocupa o sexto lugar no ranking de países com o maior número de mortes por Covid-19 no mundo, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

O Brasil está atrás apenas dos Estados Unidos, que lideram o ranking com 78.618 mortes; seguido do Reino Unido (31.662 óbitos), Itália (30.295), França (26.313) e Espanha (26.299). Em relação ao número de casos, o Brasil ocupa a 8ª posição no ranking. Também neste caso, a lista é liderada pelos Estados Unidos, com 1.305.544 casos. Em seguida está a Espanha (222.857 casos confirmados), Itália (218.268), Reino Unido (216.525), Rússia (198.676), França (176.782) e Alemanha (171.324).

A marca de 10.000 mortos foi batida 74 dias após a confirmação do primeiro caso. Os Estados Unidos, cujo primeiro caso foi confirmado mais de um mês antes, em 22 de janeiro, demoraram um dia a menos para atingir a mesma taxa. Até agora, de acordo com a Universidade Johns Hopkins, a Itália é o país que superou a marca das 10.000 mortes em menor tempo: 58 dias. Em seguida, veio a Espanha (62 dias), Reino Unido (71 dias) e França (75 dias).

Um estudo publicado recentemente pela Universidade Imperial College London, na Inglaterra, estima que o Brasil tem a maior taxa de transmissão (chamada de R0) do novo coronavírus no mundo. De acordo com a pesquisa, a taxa de transmissão do país (chamada de R) é de 2,81. Isso significa que no Brasil, cada infectado transmite o vírus para cerca de outras três pessoas. Quanto mais alto esse valor, maior a velocidade de transmissão da doença e maior o risco de sobrecarga no sistema de saúde. De acordo com especialistas, medidas de relaxamento de quarentena devem ser adotadas apenas por países com R (taxa de transmissão) menor do que 1. Fazem parte dessa lista Alemanha, cuja taxa é de 0,8, e Grécia, que tem a menor taxa entre os países analisados, com 0,41. Ou seja, o Brasil está longe disso no momento.

Enquanto o número de casos e óbitos continua a avançar em um ritmo acelerado, o Brasil vive uma quarentena em descompasso, como mostra a reportagem de capa de VEJA desta semana. A discórdia sobre o isolamento social, que opõe o presidente a boa parte dos governadores, fez do país um campeão mundial de bagunça no enfrentamento da doença e o colocou em uma encruzilhada na qual nem as atividades econômicas funcionam, nem o avanço do novo coronavírus é combatido corretamente. Depois de um começo promissor em março, a média de respeito à quarentena em território nacional vem caindo ao longo das semanas e, na terça passada, 5, o índice de adesão bateu em 42,4%, segundo dados da Inloco, plataforma de geolocalização que coleta informações de uma base de 60 milhões de celulares. O patamar recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para achatar a curva da Covid-19 é de 70%.

Outra reportagem de VEJA desta semana, mostra um dos dramas causados pela pandemia: a depressão decorrente do medo de infectar e do isolamento social.  Um recente levantamento realizado pela Associação Americana de Psiquiatria mostrou que 36% dos cidadãos nos Estados Unidos sofreram impactos, na forma de prostração severa e depressão — quadro só comparável ao dos dias e semanas posteriores aos ataques do 11 de Setembro.

No Brasil, o desconforto pode ser aferido pelo aumento das consultas virtuais com psicólogos e psicanalistas. O recurso eletrônico, deflagrado em 2018, ganhou tração com atendimentos feitos por Whats­App, Skype, FaceTime, Zoom etc. Desde o início de março a quantidade de profissionais cadastrados pelos conselhos da categoria e autorizados a atender a distância dobrou — já são quase 90 000. Na plataforma Psicologia Viva, de orientação virtual, com cerca de 4 000 profissionais registrados, o número de atendimentos quadruplicou durante a pandemia. Nos meses de março e abril, o termo “psicólogo on-line” bateu recorde de consultas no Google.

Ainda de acordo com os novos dados do Ministério da Saúde, 83.627 pacientes com Covid-19 estão em acompanhamento, 61.685 – equivalente a 39,6% – estão recuperadas e 1.880 óbitos estão em investigação. São Paulo continua a frente como o estado mais afetado pela infecção. São 44.411 casos e 3.608 óbitos. Em segundo lugar está o Rio de Janeiro com 16.929 casos e 1.653 mortos, Ceará com 15.879 casos e 1.062 óbitos, Pernambuco com 12.410 casos e 972 mortes e Amazonas com 11.925 casos e 962 mortes.

Com conteúdo Veja

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