STF mapeou operação ‘criminosa’ do gabinete do ódio


Provas colhidas no inquérito confirmam acusações feitas por Alexandre Frota e Joice Hasselmann sobre a existência e organização do bando bolsonarista

Por Robson Bonin, Mariana Muniz

27 maio 2020, 13h28 - Publicado em 27 maio 2020, 13h20

Na decisão de 32 páginas em que autoriza as buscas contra 29 alvos bolsonaristas suspeitos de usarem as redes sociais para propagar fake news em massa, a partir de um financiamento clandestino de empresários apoiadores de Jair Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, afirma ter a investigação colhido provas da reação “associação criminosa” denominada “gabinete do ódio”.

“As provas colhidas e os laudos periciais apresentados nestes autos apontam para a real possibilidade de existência de uma associação criminosa, denominada nos depoimentos dos parlamentares como ‘Gabinete do Ódio’, dedicada a disseminação de notícias falsas, ataques ofensivos a diversas pessoas, às autoridades e às Instituições, dentre elas o Supremo Tribunal Federal, com flagrante conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática”, diz Moraes.

Provas colhidas no inquérito, segundo Moraes, confirmam acusações feitas pelos deputados Alexandre Frota e Joice Hasselmann da existência e organização do bando criminoso bolsonarista.

“Como se vê de tudo até então apresentado, recaem sobre os indivíduos aqui identificados sérias suspeitas de que integrariam esse complexo esquema de disseminação de notícias falsas por intermédio de publicações em redes sociais, atingindo um público diário de milhões de pessoas, expondo a perigo de lesão, com suas notícias ofensivas e fraudulentas, a independência dos poderes e o Estado de Direito”, diz Moraes.

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