Cloroquina agrava casos de coronavírus e pode causar mortes, diz Oxford



Um estudo preliminar publicado pela Universidade de Oxford nesta quarta-feira, 15, apontou que a hidroxicloroquina não tem benefícios contra o novo coronavírus e foi responsável pelo agravamento e pela morte de alguns infectados. Para chegar a essa conclusão, mais de 1.500 pessoas tratadas com a medicação foram analisadas pela universidade britânica.

O estudo de controle foi feito pelos pesquisadores com base na comparação entre 1.561 pacientes que estavam tomando a cloroquina e 3.155 que tiveram o tratamento-padrão para a covid-19. O método utilizado não foi o duplo-cego, considerado o mais isento pela comunidade científica — quando nem os pacientes nem os cientistas sabem exatamente qual medicamento está sendo administrado — e a pesquisa pode sofrer mudanças até o momento de sua publicação.

Dos mais de 1.500 que tomaram o remédio, 26,8% morreram em uma média de 28 dias — porcentagem um pouco menor para o segundo grupo, de 25%.

A pesquisa também mostra que os pacientes que tomaram a hidroxicloroquina tiveram menor probabilidade de saírem vivos do hospital no prazo de 28 dias.

A conclusão dos cientistas é que, quando os indivíduos são tratados com a medicação, eles tendem a ter uma internação maior e também correm mais riscos de chegar ao ponto de usar os ventiladores pulmonares ou de morrerem por causa das complicações causadas pelo vírus.

“Embora preliminares, os resultados indicam que a hidroxicloroquina não é um tratamento efetivo para os pacientes hospitalizados com covid-19”, dizem os cientistas em uma parte da pesquisa.

Os resultados foram os mesmos apesar da idade, do gênero, do período desde que a doença começou a se manifestar e dos riscos prévios apresentados pelos pacientes.
A pesquisa faz parte do Recovery Trial, grupo coordenado pela Universidade de Oxford para realizar os testes de potenciais drogas contra a covid-19, como é o caso da hidroxicloroquina, que, no começo da pandemia, foi estudada como um possível tratamento. Outros remédios estudados pela iniciativa são o anti-inflamatório dexametasona e o lopinavir–ritonavir (remédio usado contra o vírus HIV).

Divulgado no site medRxiv, o estudo ainda não passou pela avaliação de pares e também não foi publicado em uma revista científica.

Com conteúdo Exame

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