Nova nuvem de gafanhotos se forma no Paraguai — e dessa vez ela é gigante



Formação de nuvem com 400 milhões de gafanhotos é favorecida por inverno quente e seco; Brasil monitora de perto a situação

Por Carla Aranha

19 jul 2020, 10h39 - Publicado em 17 jul 2020, 14h35

O inverno seco e as temperaturas acima da média neste mês facilitaram a formação de uma nova nuvem de gafanhotos no Paraguai. As autoridades brasileiras estão monitorando diariamente o comportamento dos gafanhotos no país vizinho, com a colaboração de técnicos paraguaios e de outros países da América do Sul.

A situação é preocupante. Cerca de 400 milhões de gafanhotos se juntaram em uma nuvem gigante que se estende por 10 quilômetros quadrados no Paraguai. Por enquanto, os insetos parecem estar se movimentando rumo à Argentina. Os argentinos andam mesmo sem sorte: outra nuvem de gafanhotos se formou nas últimas semanas no país, a cerca de 140 quilômetros da fronteira com o Brasil.

“Estamos acompanhando de perto as duas nuvens, em colaboração com técnicos da Argentina, Paraguai e de outros países da região”, diz Carlos Goulart, diretor do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura.
O clima seco e mais quente do que o habitual deste inverno interrompeu a hibernação dos gafanhotos. Normalmente, esses insetos ficam mais quietos nos meses de frio, com um menor índice de acasalamento e deslocamento.

Neste ano, as condições climáticas acordam os insetos. “As temperaturas pouco frias e a menor umidade costumam acelerar o metabolismo dos gafanhotos”, diz Goulart.
A maior preocupação é que as nuvens de gafanhotos possam chegar ao Brasil e prejudicar o agronegócio brasileiro principalmente na região do Rio Grande do Sul e do Mato Grosso do Sul, importantes produtores de grãos e outras culturas agrícolas.

Por enquanto, o risco de os insetos chegarem ao país é pequeno. “Mas é preciso fiscalizar constantemente, como estamos fazendo, porque uma corrente de vento mais forte pode acelerar em até 100 quilômetros por hora o deslocamento da nuvem”, diz Goulart.

Com conteúdo Exame

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