Damares agiu para impedir que menina de 10 anos estuprada pelo tio realizasse aborto, diz jornal


A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, agiu nos bastidores para tentar impedir que a menina de 10 anos estuprada pelo tio, realizasse o aborto legal, ainda em agosto. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

De acordo com a publicação, Damares coordenou uma operação que tinha como objetivo transferir a criança de São Mateus, município onde essa vivia no Espírito Santo, até um hospital em Jacareí, São Paulo. Na instituição, a garota capixaba aguardaria a evolução da gravidez e realizaria o parto, mesmo diante dos riscos que esse implicaria à vida da vítima.

Sob ordens da ministra, aliados políticos se dirigiram ao Espírito Santo para tentarem retardar a realização do procedimento. Em uma série de reuniões, os representantes de Damares pressionaram os responsáveis por conduzirem a operação médica, chegando até a oferecer benefícios ao conselho tutelar local, caso o aborto não acontecesse.

Segundo a Folha, Alves teria participado de ao menos uma dessas conferências, por meio de videochamada. Além disso, pessoas envolvidas no processo afirmam que os representantes ministeriais de Damares teriam sido os responsáveis por vazar o nome da criança à ativista Sara Giromini – mais conhecida como Sara Winter – que divulgou dados pessoais da vítima nas redes sociais. A exposição fez da garota e sua família, alvos de ameaças.

Entenda o caso

O caso teve início no dia 8 de agosto, quando a criança deu entrada no Hospital Estadual Roberto Silvares em São Mateus, no Espírito Santo, sentindo muitas dores. Os profissionais perceberam que a barriga da menina estava muito estufada, e ao receberem o resultado do exame de sangue, conseguiram confirmar que ela estava grávida de 20 semanas, quase cinco meses.

A garota, então, revelou que era estuprada pelo tio, de 33 anos, desde os seus 6 anos de idade. Ela nunca pediu ajuda ou o denunciou por conta das ameaças feitas pelo homem. Uma semana depois, a Justiça do Espírito Santo deu aval para a realização do aborto, de acordo com a legislação brasileira, que permite a interrupção da gravidez caso a mulher corra risco de morte ou tenha sofrido abusos sexuais.

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