Democracia, substantivo feminino (por Mirian Guaraciaba)


A vitória do presidente eleito dos Estados Unidos não é só dele. A vice Kamala Harris, a militante Stacey Abrams, a primeira-dama Jill Biden, e a comunidade negra, garantiram o sucesso de Joe Biden. E a derrocada de Donald Trump.

Biden e Kamala receberam 58% dos votos das mulheres americanas. Com supremacia entre os eleitores, elas mudaram de lado entre 2016 e 2020. Trump teve maioria há quatro anos. Agora, menos de 35%.

Extraordinário o papel das mulheres nas eleições americanas. Kamala conquistou os eleitores por sua história política – a defesa dos negros e imigrantes. A futura primeira-dama é doutora em educação. Fez bonito durante a campanha e continuará a dar aulas enquanto morar na Casa Branca.

Mas há uma pessoa em especial a quem Biden também deve sua eleição: Stacey Abrams. Coube a ela a conquista dos 16 delegados da Georgia, estado que há 28 anos, desde 1992, dá vitoria aos republicanos.

Aos 46 anos, ex-deputada, ativista política, advogada tributarista formada pela prestigiada Faculdade de Direito de Yale, Stacey Abrams é vista como herdeira de dois ícones do movimento negro americano, o reverendo Martin Luther King, e o deputado John Lewis.

Em menos de dez anos, Stacey garantiu o registro de mais de 800 mil eleitores na Georgia. Todos da comunidade negra. Stacey Abrams abriu caminho para a histórica virada Democrata na Georgia, em 2020.

Por aqui, comemoramos, obrigados a conviver com nossa política torpe, infame e mesquinha. O tal Bolsonaro (que importância tem ele diante da vitória de Biden?) nega o fato que o mundo comemora desde sábado.

Afrontar a diplomacia poderá prejudicar ainda mais nossa combalida política de relações exteriores. O Capitão fará o Brasil pagar um preço alto por mais um gesto irresponsável, digno da política de cachorrada.

A mesma política que trata da crise energética do Amapá. Em seus 16 municípios, quase 800 mil brasileiros estão sem energia há uma semana – 750 mil apenas em Macapá. Milhares de pessoas mais vulneráveis já passam fome e sede.

A companhia de energia do Amapá é privada. Pediu socorro à estatal Eletronorte para suprir hospitais e o aeroporto da capital Macapá. Prejuízos imensos. No fim-de-semana, Bolsonaro disse que a crise havia sido contornada. Mais uma mentira. Inconsequente, dará seguimento à privatização de outras empresas nas áreas de energia, transporte, educação, saúde, cultura …

Pobres de nós.

 

Mirian Guaraciaba é jornalista

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