Bolsonaristas papa-jerimuns à procura de um candidato pra chamar de seu

Rogério e Fábio não querem enfrentar Fátima nas urnas (Foto: autor não identificado)

Por Fernando Mineiro*

Na nossa história política recente é a primeira vez que o ano começa sem que se saiba quais serão as possíveis candidaturas que disputarão as eleições para o governo do estado. Noutros tempos, nessas alturas, o sol de verão já estaria esquentando as conversas e fofocas políticas nos famosos alpendres do litoral potiguar.

Mas é óbvio que as conversas existem. O que não existem – ainda – são as definições das candidaturas. Pelo menos, ainda não se sabe qual será o nome que encabeçará a chapa da oposição bolsonarista.

Até agora, a única certeza é a de que o nome da  Governadora Fátima (PT) será apresentado, no momento certo, para a reeleição em outubro próximo, ao lado da candidatura de Lula a presidente.

A oposição bolsonarista papa-jerimum está à procura de um candidato pra chamar de seu há um bom tempo, mas ainda não encontrou nenhum nome disposto a enfrentar o desafio.  E os nomes testados  não empolgaram a tropa, até agora.

De acordo com os dados de todas as pesquisas divulgadas no ano passado, as intenções de votos nos possíveis candidatos identificados com a oposição bolsonarista estadual foram bem menores do que as intenções para a reeleição da Governadora Fátima Bezerra. Do mesmo modo, todas as sondagens para presidente apontam um razoável favoritismo de Lula sobre Bolsonaro.

No entanto, todos sabemos que o bolsonarismo existe no estado e tem representatividade política e social, mesmo não sendo nos mesmos níveis de 2018.

A pergunta que se faz, então, é: por que as lideranças bolsonaristas ainda não indicaram o nome de seu representante para a disputa a governador? E outra: por que um dos dois ministros não se dispõe a assumir a candidatura ao invés de deixar o lider sem defesa no estado?

Sabemos que o fato de serem conhecidos do povo do Rio Grande do Norte pesa na decisão de ambos. Um, pai da reforma trabalhista que elevou os índices de desemprego às alturas, já foi julgado e derrotado pelo povo, por isso mesmo, em 2018; outro, filho do ex-governador que também foi julgado e derrotado, é o herdeiro direto do baú da incompetência administrativa do governo passado.

Mesmo com toda a força da grana do orçamento secreto que está sendo distribuído à solta para as prefeituras amigas, é de se estranhar que os ministros não se disponham a montar palanque para, no mínimo, defender o legado que atribuem ao chefe no Rio Grande do Norte.

Se propagam fake news a todo instante na tentativa de criar uma opinião desfavorável à Governadora Fátima Bezerra, se têm tanta certeza de que o nosso governo está fraco e desgastado,  porque um deles não assume a candidatura a governador representando o bolsonarismo local e apresenta suas propostas para o estado?

O que defendem para as áreas da saúde, educação, cultura, turismo, agricultura, recursos hídricos, meio ambiente, energia, segurança? O que pensam sobre as políticas públicas voltadas para a juventude, mulheres, população negra, indígenas, lgbtqia+? Quais as propostas para o desenvolvimento do estado, a administração pública, o funcionalismo?

A candidatura de um dos ministros seria a oportunidade para que saissem dos ataques pessoais que alimentam o submundo da disputa política e viessem à luz do debate que interessa: os rumos do Rio Grande do Norte para os próximos quatro anos.

Mas pelo visto preferem tercerizar a tarefa de defender as idéias do chefe e por isso andam à procura de um nome que assuma essa função no lugar de um deles.


*É ex-deputado estadual e secretário estadual de gestão de projetos.

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