CASAMENTO DE BOLSONARO E PAULO GUEDES COMEÇA A TER PRIMEIRAS DRS

Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, e o presidente Jair Bolsonaro. Foto: Evaristo Sá/AFP

Por Leonardo Sakamoto

Uma das perguntas mais direcionadas a Bolsonaro nas entrevistas e sabatinas durante as eleições é o que aconteceria se ele e Paulo Guedes batessem de frente, já que o então candidato reconheceu que não entendia de administração econômica, não conseguia aprofundar nenhuma proposta para a área e já havia dito que iria entregar as decisões a ele, seu "Posto Ipiranga".

O então deputado federal garantia que o "casamento" entre os dois seria sólido, que não iriam se desentender nunca, mas que, no fim, a última palavra seria de quem teve voto. "O único insubstituível nessa história sou eu", sintetizou.

Após o que aconteceu nesses últimos dias, a relação deve passar por uma DR, a conhecida discussão de relacionamento.

O caso do aumento IOF e da redução do Imposto de Renda mostram que o mesmo governo que faz e arrebenta nas redes sociais é mirim na comunicação interna - perdido entre promessas de campanha (não aumentar impostos), o medo de desagradar setores econômicos e a necessidade de recursos para a gestão do país. O mesmo não pode ser dito sobre as questões da Reforma da Previdência e da Embraer. Nesse casos, a confusão surge quando Bolsonaro age por conta própria, apoiado por seu círculo próximo, sem a tutela do Posto Ipiranga.

Como muitos gostam de um autoengano, entregaram seu apoio ao ex-deputado, com quase 28 anos de trajetória estatista e nacionalista, por conta de seu discurso de que era outro homem e da existência de um avalista neoliberal. Acreditam que o "casamento" vai durar, ao menos, por quatro anos ou até as reformas e privatizações ocorrerem.

Bolsonaro lembra que o insubstituível é ele. Fato. E, portanto, é sua a última palavra, apesar das promessas de "carta branca" aqui e ali. Mas nomes como Paulo Guedes, Sérgio Moro e Augusto Heleno são praticamente indemissíveis, fiadores da gestão. Paradigmático, nesse contexto, o silêncio do ministro da Economia, que cancelou compromissos, nesta sexta, depois das confusões. A DR vai ser longa.

Independente de como vão tocar esse relacionamento, seria bom resolverem-se internamente e, só depois, comunicarem ao público. Pessoas, empresas e organizações tomam decisões para seu presente e futuro baseadas em declarações do governo federal, precisam de fatos concretos ara não perder dinheiro. Se não pudermos confiar na veracidade delas, então o próprio governo se torna nocivo à sociedade.

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