MAIORIA APOIA EDUCAÇÃO SEXUAL, MAS O CAMINHO CONTRA O OBISCURANTISMO É LONGO


Por Leonardo Sakamoto

O apoio à educação sexual nas escolas alcança 54% da população, de acordo com pesquisa Datafolha, divulgada nesta segunda (7). O número vai na contramão do que defendem o presidente da República e parte de seus apoiadores. Para eles, o problema do país são educadores que discutem o tema com os alunos em sala de aula. Ao que tudo indica, a maioria da sociedade entende que o problema concreto são meninas que ficam grávidas.

"Quem ensina sexo para a criança é o papai e a mamãe. Escola é lugar de aprender física, matemática, química. Fazer com que no futuro tenhamos um bom empregado, um bom patrão e um bom liberal. Esse é o objetivo da educação”, afirmou Jair Bolsonaro em novembro. Se o percentual de 54%, por um lado, é um alento diante das possibilidades de retrocessos, por outro, mostra que ainda há muito a percorrer. Pois da internet, passando pela TV ao comportamento da própria família, tudo pode contribuir com a sexualização precoce. Já a escola pode orientar os jovens em meio a tudo isso.

Jovens vão começar a experimentar sexo antes do que a maioria dos responsáveis por eles imaginam. Proibir pura e simplesmente é tão inútil quanto defender a abstinência como método de contracepção, servindo apenas ao autoengano. Seguir a linha do negacionismo pode limpar a própria consciência, no melhor estilo do "a minha parte perante Deus, eu fiz" e agora a sorte está lançada. Mas só não é pior do que o engajamento em uma "cruzada" contra a educação sexual nas escolas.

Estes não apenas querem manter seus filhos e filhas na ignorância sobre seus próprios corpos, como atuam para que os dos vizinhos também não tenham acesso à informação e estejam vulneráveis às mesmas consequências. Sem conhecimento sobre si mesmo, o adolescente tende a estrear precocemente sua vida reprodutiva ou na fila de tratamento para doenças sexualmente transmissível incuráveis, como o HIV e o HPV.

Educação sexual que tem gerado frutos e conta com desafios. Partos de mães de 15 a 19 anos caíram de quase 630 mil (2007) para 476 mil (2017). De 20% a 16% em dez anos, de acordo com dados do IBGE. Já a taxa de detecção de HIV por 100 mil adolescentes homens de 15 a 19 anos subiu de 3%, em 2007, para 7%, em 2017, o que demanda reforço na conscientização desse grupo. Entre adolescentes mulheres, a taxa caiu de 4% para 3%.

A escola é o local do debate por natureza, capaz de iluminar posições preconceituosas e formas de violência que são passadas de pai para filho - e, aqui, a escolha do gênero não é aleatória. Não apenas há famílias que acreditam em crenças equivocadas, como a pílula anticoncepcional trazer infertilidade, mas também há aquelas que ensinam a seus meninos que "usar camisinha é coisa para frouxo" e, portanto, inaceitável. Ou que "quem manda numa trepada é o homem". Além de boatos como o famoso "HIV não pega em homem hétero".

(Leia matéria na íntegra: https://bit.ly/2C9V7h2)

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